sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Chá e Sushi










Chá, sushi e muito mais. Eu, que adoro peixe e arroz, vim de lá satisfeita! E foi a primeira vez que vim de uma viagem só com saudades da nossa sopa. Neste regresso não senti a falta do arroz. Pelo contrário, lá é comido a toda à hora: ao pequeno-almoço, às refeições principais, como snack a qualquer hora do dia, enrolado em algas secas com uma forma triangular. Arroz sempre! 

As experiências de sushi foram deliciosas. Desta vez não nos deixámos guiar pelas inúmeras referências dos guias de viagem. Por intuição, parámos aqui e ali, onde observávamos japoneses satisfeitos e azáfama nas cozinhas. E assim, jantámos em Kyoto num sushi bar memorável, daqueles com os pratinhos de sushi a passar por nós em tapetes rolantes e em Tóquio num pequeno restaurante junto ao mercado de peixe (que é só o maior mercado de peixe do mundo), que nos obrigou a comunicar por gestos mas com um resultado final fresco e delicioso. A sopa de noodles com carne, peixe ou tempura foi outra das boas surpresas. Comemos sempre bem, com variedade e muitos vegetais. 

A arte de servir o chá é outro dos aspectos a realçar. Rituais cerimoniosos, cuidados, demorados. Julgo que tem muito a ver também com a tal gentileza e afabilidade deste povo. Para simbolizar a humildade e simplicidade desta bebida, as taças em que se servem devem ser toscas e de cores que representem a terra. O elogio ao que é verdadeiro e simples. Muito belo.

Por último, uma referência aos cheiros e às cores dos mercados e das lojas de doces que aparecem a cada esquina. Uma profusão inesquecível!...

Sayonara, Japão!









quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Pessoas







Dei por mim nesta viagem a fotografar pessoas. Porque eram tão diferentes de nós e porque entre eles eram também muito distintos. Os contrastes são evidentes. Japonesas vestidas com belos kimonos, jovens executivas de vestido, gabardine e salto alto, teenagers vestidas como personagens de banda desenhada com rendas, tules e meias pelo joelho de cores garridas. Há rostos muito bonitos, tanto femininos como masculinos. Os homens são muito metrossexuais: vestem fato ocidental e usam uma espécie de carteira ao ombro, que por aqui seria exclusivo do sexo feminino (ou de gays, vá). Lá não, e ficavas-lhe bem, de resto. Os cortes de cabelo são cuidados e muito estilosos, pareceu-me ;) Os estudantes do liceu vestem uniformes com traços ocidentais, o que tinha uma certa graça. Elas, saia escocesa ou uniforme à marinheiro. Eles, um fato preto de gola "à Mao", que os fazia parecer soldadinhos de chumbo. Usam, em geral, máscaras de protecção, daquelas usadas nos hospitais, com total naturalidade. São gentis, ordenados, silenciosos, profissionais, muito respeitadores e afáveis. Mas são também viciados em tecnologia, em karaoke e máquinas de jogos, talvez como um escape à rigidez profissional e aos estritos códigos de conduta social. Por isso disse que vinha mais rica. Até do ponto de vista humano e da diversidade que pude observar!





quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Natureza e Templos










Foi propositada a escolha de visitar o País do Sol Nascente por esta altura. Queríamos presenciar a explosão de cores que acontece logo no início da Primavera, com as cerejeiras em flor. Lindo! Visitámos Tóquio, Kyoto e Nikko e em todas elas a natureza era arrebatadora. Jardins muito cuidados, uma profusão de flores de cores suaves. Todo o imaginário do Oriente no espaço destes dias.

Por outro lado, os templos que marcam a espiritualidade deste povo. São locais serenos, verdadeiramente zen, que transmitem paz. Confesso a incapacidade de compreender muitos dos rituais que presenciei, tão diferentes dos nossos, em locais também diametralmente opostos aos associados à igreja católica. Mas viajar é também isso. Conhecer e respeitar os outros povos e culturas. E perceber que, apesar de todas as diferenças, é universal a busca de uma qualquer protecção divina, o agradecimento pelas graças concedidas ou simplesmente a procura de espaços onde se pode estar em silêncio e meditar. O elogio à simplicidade e humildade é patente nos edifícios, nos rituais, na aura depurada que se respira nestes ambientes. Foi também um exercício de contemplação e de encontro. No meio do silêncio, descalços e com algumas das paisagens mais belas ao alcance da vista era impossível ficar indiferente e não nos sentirmos renovados e abençoados. Qualquer que seja a religião, a bondade, a beleza e a paz serão certamente denominadores comuns. E isso aproxima-nos...









terça-feira, 22 de Abril de 2014

Cidade de Luz e Néons





Tóquio é uma cidade frenética. Arranha-céus, uma concentração de edifícios e pessoas como nunca vi e, à noite, uma cidade que se ilumina com néons de todas as cores. Curiosamente, é também uma cidade com jardins verdes, templos recolhidos, bairros de casas baixas e ruas sossegadas. Uma explosão de sensações, de vida, de cheiros e de sabores. Pessoas nas ruas. Sempre. Nas passadeiras, música electrónica, quase infantil, que toca quando está verde. Nas estações de metro, milhares de pessoas que se cruzam num só dia. O som das máquinas de jogo. Absorventes. Karaoke em cada esquina. Telemóveis por todo o lado. Lojas especializadas só em Banda Desenhada e Manga. Uma loja de seis pisos dedicada exclusivamente à arte do Origami. Por outro lado, pessoas silenciosas. Ordenadas e educadas. Afáveis e gentis. Uma cidade que consegue ser também interior. Como se no meio de toda a agitação fosse fácil  parar e encontrarmo-nos. A tal sabedoria oriental, quem sabe. Com os seus contrastes, Tóquio é uma cidade inesquecível!...